05/06/2026
Fez estes dias um ano que partiste meu Amigo.
Por aqui, a luta continua e a oficina não fechou, mas também já não é, nem será mais a mesma. O teu cérebro já cá não está, mas deixas-te muito do que sabias, obrigado. Tento carregar e honrar a história que deixaste. Conciliar a oficina com o meu próprio emprego, com o cansaço, com os sonhos, com as exigências de um mundo que nunca pára de pedir mais. Sempre mais um dia. Sei que é isto que tem de ser feito.
As elites, e os círculos de vaidades, que adoram fazer vénias, ignoraram por completo... Não houve uma lembrança, uma palavra, nada. Não os perdoo por essa hipocrisia, mas a verdade é que tu nunca precisaste dos palcos deles, gostavas verdadeiramente da marca, das pessoas. A tua verdadeira homenagem não se faz em discursos vazios ou textos de circunstância...
Sinto falta da tua presença, da tua teimosia gigante, daquele teu mau feitio espetacular, especialmente quando sabias que não tinhas razão, e batias o pé na mesma, e daquela lealdade pura de quem aparecia para segurar o mundo sem fazer perguntas. Enquanto estiveste internado, houve sempre um copo na mesa à tua espera. Hoje, cada canto desta oficina é esse copo. É a minha forma de te dizer que continuas aqui.
Não sou homem de muitas palavras, nunca gostei de anúncios, muito menos de despedidas. Nao sei o futuro, nao sei até onde iremos com a oficina, mas deixo-te aqui a promessa: Um dia, ainda vou montar aquele Alfa 33 e fazer uma viagem sem capô, a ouvir o ronco do motor, exatamente como tu gostavas de fazer...
Obrigado pela tua confiança, pelo teu carinho e por teres sido um verdadeiro amigo quando eu mais precisei...
Até um dia, Mestre...
E todos aqueles que me deixaram saudade...
Júlio Sousa