12/09/2018
Eliane do Carmo Luciano, 34, profissional de Recursos Humanos em Campinas, tentou tirar sua primeira Carteira Nacional de Habilitação em 2005, mas depois de sofrer um acidente, quando o pai estava na direção e uma moto atingiu o veículo, parou o processo e viu surgir, ali, o pavor de dirigir. Ela conta que no acidente o motociclista entrou pela janela do carro e ela fraturou o pulso.
Passados seis anos, em 2011, retomou as aulas e conquistou sua Carteira, com muita tranquilidade. “Estava segura no dia da prova prática; mas, aos poucos o medo voltou”, contou. Ela diz achar que herdou um pouco da ‘paúra’ pelo trânsito de sua mãe, que nunca deixava de afirmar que esse era um espaço muito perigoso. Por outro lado, seu irmão era proprietário de autoescola e seu pai, instrutor. Mas nunca se sentiu bem em dirigir com eles; pois eles eram muito bons. “A irmã também é uma grande motorista, dirige até caminhão. Isso de certa forma também pesava”, justificou.
Recentemente, ela comprou um carro – há cerca de um ano e meio; mas a coragem para ir às ruas ainda é pequena. “Morro de medo das pessoas ‘baterem’ em mim”. Questionada se não pensa em buscar ajuda especializada, afinal já se foram mais de 10 anos desde o início do processo de aprendizado, ela afirma que ainda não se animou. “De vez em quando busco locais mais tranquilos, onde posso dirigir em velocidade mais baixa, pois aí f**a mais fácil. Quando saio para dirigir, quero que a rua seja só minha”.
Outra história de trauma também é a justif**ativa da jornalista Marilia Varoni, 28 anos, para não se animar a dirigir. Ela atua na Câmara Municipal de Campinas e conta que aos 19 anos foi habilitada e comprou uma moto para realizar o trajeto de Monte Alegre do Sul a Serra Negra (SP). Sofreu dois acidentes naquela ocasião, um com fraturas no pulso – “Chegou a quebrar”, afirmou.
Junto com os acidentes, outros fatores também agravaram a fobia de dirigir. Ela mudou para Campinas, vendeu a moto, e o pai, que era taxista, não deixava ela pegar o carro. Nesta época, Marília começou a trabalhar com trânsito. “Foi neste momento, que tudo ficou pior, porque ao ver tantos acidentes e atropelamentos e ter que lidar com aquilo todos os dias, meu temor aumentou”.
Por outro lado, ela afirma que passou a buscar alternativas de deslocamentos e, como elas são muitas (táxi, transporte coletivo, mais recentemente, o uber) , acabou desistindo de dirigir.
A jornalista é mesmo categórica: não pretende buscar ajuda e depois de 11 anos com a CNH, só vai usá-la na prática se acontecer algo muito grave e impositivo. “Acho mesmo que só um susto me fará pegar na direção novamente. Sempre digo, peça pra mim qualquer coisa, menos que eu dirija”.