26/01/2016
Ao analisarmos o processo de relações interpessoais (ou o relacionamento com as demais pessoas no ambiente de trabalho) e os modelos existentes nas empresas atuais, podemos destacar dois tipos: o burocrático e o contemporâneo. Ora, mas quais seriam as diferenças entre ambos?
O modelo burocrático possui a bagagem do próprio nome, que é um modelo excessivamente administrativo e esse excesso interrompe ações que, normalmente, deveriam ser rápidas. Algumas das características de uma empresa burocrática é o formalismo, não o formalismo no cumprimento e no trato entre as pessoas, mas o formalismo no sentido do “engessamento da autonomia”. No formalismo não há espaço para autonomia, e sim para a centralização do poder, com regras e diretrizes. Em uma empresa burocrática, todas as decisões são tomadas por um superior e tudo é decidido via diretriz rígida e incapaz de fugir ao planejamento rígido. Além do formalismo, outra característica do sistema burocrático e é consequência do formalismo é a impessoalidade. As pessoas não se relacionam entre si, o relacionamento ocorre entre cargos e funções. As pessoas não falam além do necessário, não se comunicam, não se conhecem. Conhecem o Diretor de Operações, mas não conhecem a pessoa que dirige o departamento de operações. Este tipo de comportamento leva a uma outra característica do modelo burocrático, que é o profissionalismo, onde as competências técnicas têm muito mais valor do que competências interpessoais.
Já nos modelos contemporâneos, o que vale mesmo é compartilhamento, colaboração e confiança. A base da pirâmide, que é o pessoal operacional, tem muito mais autonomia para trabalhar e, com isso, as empresas ganham em flexibilidade e agilidade nos processos. Neste modelo, a atuação em equipes é privilegiada e a autonomia dos colaboradores é muito maior. Autonomia maior significa comprometimento maior com a empresa, refletindo na produtividade e nos resultados de uma forma geral.
Agora que analisamos, qual o melhor modelo?
Sem dúvida, o modelo contemporâneo. Pelo simples fato de fazer com que os colaboradores tenham autonomia e sintam-se coproprietários dos processos organizacionais. Esta autonomia reflete em responsabilidade e comprometimento. O ambiente fabril comprometido com os resultados torna-se mais produtivo, mais amistoso, mais sociável e não menos responsável.
Além disso, o ambiente contemporâneo favorece a inovação. Sabemos que muitos fatores inibidores à inovação ainda existem – tais como chefias contrárias às mudanças, cultura da empresa, recursos escassos, falta de visão da empresa, missão conflitante, entre outros, porém a inovação apenas ocorre em ambientes favoráveis que, como vimos é o ambiente contemporâneo, pois onde todos estão comprometidos com os objetivos da empresa, torna-se mais produtivo. E comprometimento traduz-se em atitude de aprendizado, liderança, trabalho em equipe, comunicação participativa e, principalmente em prazer ao realizar o trabalho. Tudo isto favorece a um ambiente inovador, desde que o transgressor (aquele que é considerado inovador, pois sairá da zona de conforto, do lugar comum) saiba identificar o que é permitido e o que é proibido.
Fonte bibliográfica: Aspectos Comportamentais na Gestão de Pessoas (Fundação Getúlio Vargas).