07/30/2026
Na minha adolescência, nos anos 2000, eu passava quase todos os dias por aquela região de Viamão a caminho do Colégio Isabel de Espanha. Em uma das calçadas havia um carro que sempre chamava minha atenção. Eu já sabia que, por baixo daquela carroceria diferente, existia um Ford Maverick, mas para mim e para muita gente ele era simplesmente o Batmóvel.
Ele ficava ali, parado, solitário, como se guardasse uma história cheia de personalidade e irreverência. Na época do auge do tuning, ele já tinha um jeitão de "vovô", o que me faz acreditar que aquela transformação vinha dos anos 80 ou 90. Mesmo assim, ou talvez justamente por isso, era impossível passar por ele sem olhar.
Hoje, mais de 20 anos depois, sonhei com aquele carro. Curioso como a memória funciona. Ele nunca foi meu, nunca pertenceu a amigos ou familiares, mas acabou se tornando uma referência da minha adolescência.
Acordei com a lembrança na cabeça e resolvi procurar no Google Maps. Encontrei um registro de 2011. Lá estava ele, ainda no mesmo lugar, mas agora acompanhado por um Opala, ambos aparentemente sucateando com o tempo. Nas imagens mais recentes, porém, não existe mais nada que lembre o antigo descanso do Batmóvel. Não sei se foi restaurado, vendido ou acabou virando sucata.
De qualquer forma, foi bom lembrar dele. É uma sensação parecida com recordar um colega dos tempos de escola: alguém que fez parte da nossa rotina, desapareceu com o tempo, mas permaneceu guardado na memória.
E, como sempre fui apaixonado por carros, aquele velho Batmóvel conquistou um lugar definitivo nas minhas lembranças.
Foto do GoogleMaps2011