Sobre o povoado de Brejinhos, as pessoas de lá são agricultores, na maioria descendentes de quilombolas e de famílias pobres, pessoas que não tiveram oportunidades. Para conhecer um pouco mais a história deles, vamos transcrever uma literatura de cordel chamada de História de um lugar, cujos autores são ex-alunos da extinta Educação de Jovens e Adultos (EJA) do ano de 2005:
História de um lugar
Leitor, peço sua atenção
No que vamos falar
Nessa bela história
Que aconteceu neste lugar
O seu começo há décadas
E os jovens não hão de lembrar
No ano de vinte e sete
E alguns meses seriam
Distante da Capital
No interior da Bahia
No povoado de Canarana
Simião ali vivia. Um dia saiu para caçar
Andando no mato ele ouviu
Um berro de um sapo
Estava com sede e seguiu
Encontrou uma lagoa
Ou seja, um grande baixio
Júlio cinco anos depois
Perto da lagoa foi morar
Para ficar perto d’água
Para beber e cozinhar
O nome Lagoa de Simião
Ele colocou neste lugar. Este nome se espalhou
Por toda a cidade
Fazendo muita gente vir
Morar nessa localidade
E com isso tornou-se
Grande comunidade. Filhos e filhas se casaram
E aqui ficou morando
Eram muitos filhos nascendo
E a comunidade aumentando
Outros vieram de fora
E o povo foi misturando. Aqui faremos uma ponta
Para falar do que teve aqui
Da caatinga e da fauna
Da ema ao jabuti
Do réptil ao corredor
Da onça ao quati. Todo povo tem cultura
E esse não foi diferente
Derrubava a caatinga
Para plantar sua semente
Causando grande prejuízo
E agressão ao meio ambiente. Sem pensar nas conseqüências
Que lhes podiam causar
Essas idéias loucas
Da caatinga queimar
Sem pensar nos animais
Que ali tinha que morar. Não existe quase nada
Que por aqui tinha
Só mesmos alguns pássaros
Como cardeal e pombinha
Codorna e iambu
Assim mesmo bem pouquinho. Zabelê e aranquã
Nossos jovens não conheceram
A perdiz e a sariema
Também desapareceram
Peço compreensão aos homens
Pelo pouco que permaneceram. Vejam o que aconteceu
Em nossa região
A maioria dos animais
Ficou em extinção
Imaginem o que se fez
Essa nossa nação. Só para terem idéia
Não tem mais o veado
O peba e o tatu que tinham
Não sei o que foram virados
Pois onde eles moravam
Foi tudo desmatado. Voltamos um pouco atrás
Falando do fundador
Do saudado Simião
Um herói lutador
Também de sua família
Com muita honra e amor. Quando nasceu o primogênito
Teve o maior orgulho
Escolheu logo o nome
E batizou por Júlio
Tornou-se um homem forte
E nunca gostou de barulho. O leito deve se lembrar
Quando falamos do primeiro morador
Que era filho de Simião
Um homem trabalhador
Que da sociedade
Foi sempre um defensor
Celino, filho de Júlio
Esta história sabe contar
É a pessoa mais idosa
Que mora neste lugar
Nós pedimos a Deus
Para sempre abençoar. A Irmã de sua esposa
Era mulher de um fazendeiro
Que criava muito gado
E tinha muito dinheiro
Para todo o povo
Era um bom companheiro. Seu nome era Termisto
Tinha grande propriedade
Deu emprego ao povo
Acabando a dificuldade
Trazendo muita alegria
Vejam que felicidade. Aqui falamos um pouco
Dos nomes deste lugar
Pois Lagoa de Simião
O povo não quis mais chamar
Reuniu a comunidade
E concordaram em mudar. Foi mudado para Brejinho
O nome desta comunidade
A família de Simião
Concordou com amizade
Que foi aceito por nós
E governantes da cidade. Foi dado esse nome
Devido ao massapé
Que vira a nossa terra
Toda vez que vem chover
Impedindo carros e motos
Ou qualquer outro veiculo de se locomover. O lamaçal é tão grande
Que dá preguiça de andar
Dá nojo a lama nos dedos
Mas dá gosto se lembrar
O lindo verde da caatinga
E os pássaros a gorjear. Quem nessa terra passar
Se acaso houver chovido
Todos vocês aí vão ver
O que temos dito
Porque o nome Brejinho
lhe foi concedido. A dezoito quilômetros de Cananara
Vem o Brejinho ficar
Ao leste do município
Quem ver pode admirar
]e vamos falar agora
Dos benefícios deste lugar. Em noventa e quatro
No fim do cruzeiro
Recebemos do governo
Casa e banheiro
Porque os de enchimento
Tinham muito barbeiro. Recebemos uma cisterna
Do Governo Federal
Pois aqui água e luz
São um drama social
É direitos de todos
É um bem fundamental. Em oitenta e oito
Veio um prédio escolar
Júlio Pereira Borges
Todos concordaram colocar
O nome desta escola
E teremos que preservar.
É essa mesma escola que estamos estudando
É o professor Alexandro
Que está nos ensinando
Com o programa EJA
Que está mobilizando. Essa parte da história
É a visão que nós temos
Do aspecto pedagógico
Que nós vivemos
Estamos recebendo
A educação que queremos. Pois teve mudança
Em nossa educação
Os professores de hoje
Respeitam nossa opinião
Pois nós estamos tendo
Liberdade de expressão. Gostamos de escrever
A história de Brejinho
Lendo algumas coisas
E perguntando aos vizinhos
Galguemos muitas coisas
Obedecemos com carinho.